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"Sou tão enthusiasta pelos caminhos de ferro, que, se fosse
possível, obrigava todo o paiz a viajar de comboio durante 6 meses",
dia Fontes Pereira de Melo, já em 1883 (segundo o sítio
http://comboios.no.sapo.pt/).
As repercussões da nova rede de transportes foram imensas. A ligação
entre as cidades e a província contribuiu, para o acesso à
"civilização" de um interior ostracizado, e a economia ganhou um
renovado impulso. Os caminhos-de-ferro foram, sem dúvida, um dos
instrumentos mais poderosos da Regeneração. E o comboio foi
rapidamente integrado pela nossa cultura e acarinhado pela nossa
gente. Para além do entusiamo dos "fans", os caminhos-de-ferro
constituem, hoje, um valioso património construído que o país não pode
ignorar e, muito menos, despediçar.
Felizmente, o público parece estar alertado para o valor desse
património e, do lado dos responsáveis, os sinais são de vontade de
o restaurar e valorizar. De facto, estão em curso um conjunto de
iniciativas nesse sentido, como o programa de recuperação das
estações e da reactivação de antigas linhas, que a Refer está
actualmente empenhada.
Ao longo
dos quatro anos de publicação, que este número assinala, a Pedra &
Cal tem defendido que o património é muito mais que igrejas e
castelos. Os caminhos-de-ferro são um excelente exemplo de que assim
é. Por isso, a P&C orgulha-se de dedicar esta edição às
ferrovias e aos ferroviários. Agradece a todos os que colaboraram, em
particular ao prof. Jorge Paulino Pereira, que coordenou, e a
Metropolitano de Lisboa, que patrocinou esta edição da revista.
Vítor
Cóias e Silva |