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Entre nós, o projecto SEQUER, da
iniciativa do Centro Rodoviário Português, veio, recentemente, dar um
novo impulso à salvaguarda das estradas enquanto património histórico.
Não das viae romanas, essas já detalhadamente estudadas (embora
nem sempre devidamente protegidas), mas das que, a partir do Estado
Novo, serviram de plataforma para o grande desenvolvimento que, no
nosso país, teve o transporte rodoviário de pessoas e mercadorias.
Essas estradas-património despertam-nos
a nostalogia dos tempos em que os automóveis eram poucos e cada viagem
era algo que se antecipava com entusiasmo e que se usufruia com
prazer. Hoje, os tempos são outros e os números pairam, sombrios, no
nosso subconsciente, quando se fala de estradas. Na Europa, cerca de
30 por cento do consumo total de energia é representado pelos
transportes. Em Portugal esse número sobe para 36 por cento,
ultrapassando a própria actividade industrial. Dentro do sector dos
transportes e no conjunto dos países da UE, 83 por cento do consumo
total total correspondem ao modo rodoviário. O sector dos transportes
era, em meados dos anos 90, responsável por 26 por cento das emissões
de CO2 da UE. Tais emissões aumentaram substancialmente de então para
cá, pondo em risco, em muito países, entre eles o nosso, o cumprimento
das metas do Protocolo de Quioto.
Falar de estradas obriga, portanto, a
falar de outras coisas, e não só da protecção do ambiente, é da
protecção da própria vida humana: as estradas portuguesas fazem, todos
os dias, mais baixas do que as sofridas pelos americanos em cenários
de guerra como o Iraque. É claro que a culpa não é das nossas estradas
(embora, por vezes, reconhecidamente mal concebidas), mas, sobretudo,
de quem as utiliza de forma agressiva e irresponsável. Ao
dedicar um número da P&C às estradas, o GECoRPA não pode passar
em branco esta realidade, que nos aflige e envergonha. O massacre que
nelas está a acontecer tem que acabar.
V. Cóias e
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