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APRESENTAÇÃO
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A
Equipa da Pedra&Cal
Director:
Vítor Cóias e Silva
Coordenação:
Cátia Marques
Secretariado:
Elsa Fonseca
Produção Gráfica,
grafismo, paginação e angariação de publicidade:
Loja da Imagem
Impressão:
Onda Grafe - Artes Gráficas, Lda.
Distribuição:
Bertrand
Conselho
Redactorial:
João Appleton, João Mascarenhas
Mateus, José Aguiar,
Miguel Brito Correia,
Teresa Campos Coelho
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EDITORIAL
n.º 23
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Reabilitação a
sério
ou mais um festim
para os "patos-bravos"? |
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Ao que parece, o nosso
país sai, finalmente, de um ciclo de construção nova para encetar
uma fase em que se pretende que a reabilitação das construções
existentes tenha a primazia.
Durante mais de uma
década, o ritmo de construção nova foi alucinante: uma habitação de
5 em 5 minutos, dia e noite, sábados, domingos e feriados. Hectares
e hectares dos nossos melhores solos foram betonizados e neles
nasceram à pressa, por obra e graça de uma legião de
construtores-promotores, milhares de novos blocos de apartamentos. |
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Seduzidos pelas
campanhas milionárias dos bancos, onde é tudo facilidades, e pelos "vídeo-porteiros",
"sons-ambientes" e "halls de mármore" dos construtores-promotores, a
juventude deste país empenhou-se para o resto da vida para comprar,
a preços muitas vezes exorbitantes, habitações de qualidade e
durabilidade duvidosas.
Foi um festim de
vários anos em que uns quantos ganharam à custa de muitos outros
perderem. Mas foi um festim, sobretudo, para os que, ignorando as
regras da arte e os requisitos da qualidade, construíram a eito os
tais apartamentos de "encher o olho", onde, ao fim de pouco tempo,
os defeitos e insuficiências começam a vir ao de cima. É que
construir parece fácil, mas não é, se se quiser construir com
qualidade. |
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E se construir bem já
não é fácil, reabilitar a sério ainda o é menos. Reabilitar
construções existentes é muito mais complicado do que construir a
partir do zero. Exige materiais e tecnologias muito diferentes da
construção nova. Acresce que grande parte do nosso edificado é
bastante antigo, e foi construído por técnicas, entretanto,
abandonadas, em favor do betão armado. A anatomia e a patologia
desses edifícios é desconhecida dos construtores de hoje.
É por isso que o
GECoRPA acha que as "simplificações" recentemente introduzidas na
"Lei dos alvarás" foram no sentido contrário ao que deviam, abrindo
as portas da reabilitação a todo e qualquer "pato-bravo". Para que a
maior relevância da reabilitação no sector da construção seja tida
em conta, algumas das categorias dos alvarás deverão, desde logo,
ser separadas entre construção nova e reabilitação de construções
existentes. Há um mundo de diferenças entre construir, hoje, um
edifício novo, e reabilitar devidamente um edifício com cem ou
duzentos anos. Se não se estimular a especialização das empresas na
reabilitação, estar-se-á a permitir um novo festim, gastando rios de
dinheiro em obras que não duram nada, e descurando a própria
segurança dos edifícios.
Finalmente, há a questão da fiscalização do
cumprimento da Lei. E aqui a porta, que já estava aberta, fica
escancarada: o InCI não tem meios para auditar as empresas,
limitando-se a aceitar pelo valor facial os papéis que os
empreiteiros lhe entregam. Como dizia, há uns anos, a este
propósito, Rui Alarcão, "Nós temos leis boas que são mal
aplicadas e temos leis más que são bem aplicadas". Aqui, e no
que se refere à reabilitação do edificado, receio que tenhamos uma
lei má e mal aplicada.
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V. Cóias e
Silva, Presidente do GECoRPA |
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