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A
Equipa da Pedra&Cal
Director:
Vítor Cóias e Silva
Coordenação:
Cátia Marques
Secretariado:
Elsa Fonseca
Produção Gráfica,
grafismo, paginação e angariação de publicidade:
Loja da Imagem
Impressão:
Onda Grafe - Artes Gráficas, Lda.
Distribuição:
Bertrand
Conselho
Redactorial:
João Appleton, João Mascarenhas
Mateus, José Aguiar,
Miguel Brito Correia,
Teresa Campos Coelho
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EDITORIAL
n.º 24
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Reabilitação do edificado algarvio:
alternativa a um certo “desenvolvimento” |
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“Não há casas clandestinas nas ilhas (de Faro, do
Farol, da Ria Formosa) porque toda a gente assistiu à sua
construção.”
Autarca algarvio numa sessão de
esclarecimento do POOC, realizada em 02-11-29 |
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As minhas primeiras férias algarvias, no longínquo
Verão de 1962, deixaram-me na memória registos indeléveis. Da quinta
dos meus tios, nos arredores de Portimão, via-se o mar, e, ao longo
da linha das arribas, apenas se vislumbrava uma casa, a "casa do
alemão". Íamos todos a pé até à praia do Vau, à sombra escassa de
alfarrobeiras, calcorreando a areia seca do leito estival de um
talvegue. A praia estava sempre quase deserta, a água cristalina e,
mesmo a pouca profundidade, descobríamos polvos, chocos e uma grande
variedade de peixes. À noite, sobre a açoteia ainda quente,
deitávamo-nos no escuro, por entre pilhas de amêndoas e maçarocas, e
admirávamos o magnífico firmamento, onde as estrelas brilhavam
intensamente. O silêncio só era perturbado pelas nossas vozes e pelo
cantar dos grilos, lá em baixo. |
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Pretender manter esse Algarve prístino até aos dias
de hoje seria, sem dúvida, utópico. Mas a questão é: o que se fez,
de então para cá, foi o melhor que se poderia ter feito para os
interesses do país? Provavelmente foi o pior. Dos anos sessenta para
cá o "desenvolvimento" do Algarve tem-se traduzido, basicamente, em
betão, asfalto e campos de golfe, num festim para promotores e
construtores de todos os tamanhos e feitios, que dura até aos dias
de hoje. Ainda recentemente, com a discussão do POOC, Plano de
Ordenamento da Orla Costeira (ou será "Plano de Ocupação da
Orla Costeira"?), os poderosos lóbis do imobiliário e da construção
juntaram a sua voz ao coro da populaça instalada nas barracas e
maisons erguidas clandestinamente nas ilhas e cordões dunares,
para fazerem valer "direitos adquiridos". Com a ajuda de autarcas,
planos de urbanização prescritos são "desenterrados", a faixa de
protecção costeira é reduzida a metade e a zona de protecção lagunar
é urbanizada. É assim em Valde Lobo e é assim nas ilhas-barreiras da
Ria Formosa e nas Matas Nacionais de Montegordo e Vila Real de Santo
António1. Para os ricos, as villages e os
resorts, para os pobres, as barracas e as maisons
clandestinas em cima da praia. Uma estranha união de classes,
comungando da mesma cupidez e falta de visão. |
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É assim no Algarve de hoje. A ganância de uns e a
boçalidade de outros, perante a passividade ou conivência de quem
deveria defender o bem comum, justificam um novo conceito
urbanístico que já se vulgarizou lá fora: algarvisation, para
descrever o fenómeno do caos urbanístico e degradação de regiões que
deitam a perder um enorme potencial de atracção do turismo de
qualidade, para se constituírem em destino de "pacotes" a preço de
saldo para a classe média-baixa.
Sem pretensões a um tardio cavaleiro branco, é neste
contexto que surge a reabilitação do edificado algarvio: os seus
objectivos são, basicamente, dois: ajudar a salvar o que resta do
carácter e da autenticidade do "Velho Algarve" e, ao mesmo, tempo,
constituir uma alternativa a mais construção nova, ajudando a manter
as construções recentes que o mereçam.
Saúdo, portanto, a CCRA e o programa INOVAlgarve, ao
apoiar a iniciativa de produzir e pôr à disposição de arquitectos e
engenheiros documentação que torne a reabilitação mais fácil e
acessível, e a ajude a constituir-se como alternativa à construção
nova.
1
Ver o artigo de Luísa Schmidt “Al(g)arvidades”, “Expresso”, 02-11-30 |
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V. Cóias e
Silva, Presidente do GECoRPA |
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