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Editorial |
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Assinatura
APRESENTAÇÃO
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A
Equipa da Pedra&Cal
Director:
Vítor Cóias
Coordenação:
Cátia Marques
Secretariado:
Elsa Fonseca
Produção Gráfica,
grafismo, paginação e angariação de publicidade:
Loja da Imagem
Impressão:
Onda Grafe - Artes Gráficas, Lda.
Distribuição:
VASP S.A.
Conselho
Redactorial:
João Appleton, João Mascarenhas
Mateus, José Aguiar,
Miguel Brito Correia,
Teresa
de Campos Coelho
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EDITORIAL
n.º 28
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Por onde andaram, os
Portugueses construíram. Sobretudo fortalezas, para defender as
praças e feitorias onde se estabeleceram, mas também igrejas e
outras construções religiosas, palácios para alojamento dos
representantes do poder, ou simples habitações e lojas destinadas
aos colonos e ao seu comércio. Assim aconteceu por todo o império,
desde as capitanias do Brasil até às costas da Malásia, de Timor e
da China. Assim aconteceu na África Ocidental e Oriental
portuguesas. Obras que foram feitas para durar, e duraram.
Construções que os descendentes dos antigos colonizados hoje prezam
e de que nós nos podemos orgulhar, testemunhos que são de uma gesta,
por vezes truculenta mas, no todo, engrandecedora. |
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Construíram e
continuam, hoje em dia, a construir. Mas, em vez de o fazerem em
paragens longínquas, os portugueses de hoje preferem construir no
seu próprio quintal. E a construção deixou de ser ditada pela
necessidade de defender contra a cobiça das potências rivais ou a
agressividade de um ambiente inóspito: passou a ser, vezes de mais,
o resultado de uma conjugação de interesses ilegítimos e ligações
sombrias. Também deixou de ser feita para durar: em vez de séculos,
os novos construtores contentam-se com escassas décadas.
Começa-se, agora, a
ver que não pode ser assim, e, por todo o mundo, os decisores
começam a aceitar que a geração a que pertencem tem um dever em
relação às gerações que se seguirão, dever esse bem expresso no
compromisso ético para a sustentabilidade na engenharia civil do
ECCE (Conselho Europeu dos Engenheiros Civis): |
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“Empregaremos a
nossa determinação e influência profissional para o benefício do
bem-estar das futuras gerações de todo o mundo”.
Volta-se, esperemos, à
boa construção: à obra que não é feita para satisfazer a
cupidez de certos promotores ou a ambição de certos autarcas, mas no
interesse da sociedade no seu conjunto, tendo em conta que não somos
donos dos recursos, mas apenas, e durante um certo tempo, seus
gestores e usufrutuários. Sendo o edificado e a infra-estrutura
construída a principal parcela do investimento fixo de um país,
boa construção significa ajudar a gerir bem esse investimento,
mantendo-o em bom estado e prolongando a sua vida útil. Boa
construção significa construir apenas onde é preciso e apenas o
que é preciso. Por isso, em lugar de tentarem espremer o depauperado
PIDDAC, ou os magros orçamentos das autarquias, os construtores
portugueses devem concentrar-se numa nova e nobre missão: Partir
para os locais onde as populações realmente deles precisam:
curiosamente, muitos dos lugares onde os construtores portugueses do
passado deixaram obra durável. Em vez de se baterem, neste
rectângulo já tão betonizado, por mais projectos faraónicos, de
utilidade e rentabilidade duvidosa, devem dirigir a sua influência e
o poder do seu lóbi para os centros de decisão comunitários.
Portugal, com a experiência que lhe advém do facto de ser uma das
três mais importantes antigas potências coloniais africanas, está em
posição de vantagem para, através dos seus empreiteiros, contribuir
para a melhoria das condições de vida das populações do continente
negro, e, com isso, tirar partido dos fundos que a Europa para tal
vai canalizar. Alguns empreiteiros portugueses já disso se
aperceberam e já estão no terreno. É preciso que outros sigam o
exemplo e a febre construtora baixe em Portugal, a bem do que resta
do nosso património natural e das nossas cidades e aldeias
históricas. É preciso que a boa construção substitua a má
construção.
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Vítor
Cóias, Director |
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