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APRESENTAÇÃO
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A Equipa da Pedra&Cal
Director:
Vítor Cóias
Coordenação:
Joana Gil Morão
Secretariado:
Elsa Fonseca
Produção Gráfica,
grafismo, paginação e angariação de publicidade:
Talkmedia, Ld.ª
Impressão:
Sogapal Artes Gráficas, Ld.ª
Distribuição:
VASP, S. A.
Conselho
Redactorial:
João Appleton, João Mascarenhas
Mateus, José Aguiar,
Miguel Brito Correia,
Teresa
de Campos Coelho
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EDITORIAL
n.º 34
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Os "Resorts": um mau
negócio
(para o País) |
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Aliviada a febre construtora dos anos
90, tudo indicava que a estratégia passaria a ser gerir, o melhor
possível, um parque habitacional sobredimensionado e remediar, aqui
e além, os excessos de um crescimento urbano desordenado. O programa
Polis inscrevia-se nessa linha. Surgiram, assim, os arranjos nos
centros históricos, os embelezamentos de frentes de rua, as novas
rotundas e vias rápidas, mais as pracetas ajardinadas e os
respectivos fontanários. Gastaram-se mais uns tantos milhões de
euros comunitários que poderiam ter tido aplicação mais nobre e
rentável, mas, "do mal o menos": tínhamos as nossas cidades mais ou
menos "de cara lavada" e podíamos, agora, começar de novo, com
planos directores municipais revistos e com novos planos de
ordenamento do território. |
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Infelizmente, não é assim. Eis que surge a ideia dos projectos PIN
(Potencial Interesse Nacional) e que alguém no ministério da
economia acha que tal inclui ocupar as melhores zonas da reserva
ecológica, da reserva agrícola, dos parques naturais e da orla
costeira, com os chamados "resorts" e as urbanizações de "turismo
residencial".
Estamos novamente perante um exemplo de uma boa ideia que é
aproveitada de modo perverso: no sistema PIN fala-se na produção de
bens e serviços transaccionáveis de carácter inovador, na interacção
e cooperação com entidades do sistema científico e tecnológico, na
criação de emprego qualificado, na eficiência energética, no
favorecimento de fontes de energia renováveis e na defesa do
ambiente, mas depois atribui-se a chancela PIN a projectos
imobiliários que nada têm a ver com isto. |
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Estamos, agora, a
assistir a um desastre bem mais grave do que a expansão urbana em
mancha de óleo. A betonização do solo já não estende só as suas
metástases a partir dos núcleos urbanos: ataca agora de forma
generalizada, insidiosa, salpicando aqui e ali as zonas protegidas,
progredindo ao longo da orla costeira, derrubando montado e
urbanizando dunas. Já não se constroem só apartamentos, mas sim
moradias unifamiliares de grande área, com elevados consumos de água
e energia, integradas em vastas infra-estruturas com pesados custos
ambientais de manutenção. Trata-se de uma forma de habitar com
substancial acréscimo da "pegada ecológica"1 que usa e abusa da
principal riqueza do país – o seu património natural – e gera
empregos de baixa qualificação, logo pouco remunerados e sem
possibilidade de corresponder às expectativas dos nossos jovens.
Como a maior parte dos empreendimentos está em mãos estrangeiras, os
lucros das operações imobiliárias serão inexoravelmente exportados.
Se o nosso clima é convidativo e o nosso país hospitaleiro, em lugar
de "resorts", incentivem-se os parques empresariais; em vez de
reformados ricos e ociosos, atraiam-se empresas avançadas e os seus
quadros jovens e activos.
Os "resorts" e o turismo de residência podem dar muito dinheiro a
ganhar a alguns, mas são um mau negócio
para o País. |
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Vítor Cóias |
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