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Apresentação
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Editorial |
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APRESENTAÇÃO
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A Equipa da Pedra&Cal
Director:
Vítor Cóias
Coordenação:
Joana Gil Morão
Secretariado:
Elsa Fonseca
Produção Gráfica,
grafismo, paginação e angariação de publicidade:
Talkmedia, Ld.ª
Impressão:
Sogapal Artes Gráficas, Ld.ª
Distribuição:
VASP, S. A.
Conselho
Redactorial:
João Appleton, João Mascarenhas
Mateus, José Aguiar,
Miguel Brito Correia,
Teresa
de Campos Coelho
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EDITORIAL
n.º 35
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Há cerca de 10 000 anos, um construtor
de Yiftah'el, na Galileia, concluiu a montagem de um forno carregado
com pedra calcária e madeira que ardeu durante vários dias1. Deu a
operação por terminada quando saía menos fumo pela chaminé. Sabia
que a seguir tinha de ter cuidado, porque a pedra retirada do forno
fervia em contacto com a água2. Depois de evaporar a água, o
construtor dispunha de um material notável: a cal, que misturada com
areia lhe permitia preparar uma argamassa. Lentamente3 essa
argamassa ia endurecendo, garantindo a ligação entre os materiais.
Pedra, lama e madeira sempre estiveram
à disposição do Homem no planeta. Com a ajuda de ferramentas
rudimentares, trabalhou a pedra e a madeira, faltando-lhe apenas as
argamassas para unir as pedras, de modo a mantê-las estáveis e
resistentes à intempérie. Os Egípcios usaram argamassas e
desenvolveram notáveis técnicas de construção.
Nabateus, Gregos e Romanos descobriram (e inventaram) novos
materiais e novas técnicas. Vitrúvio, nos seus 10 livros, escreveu
tudo o que se sabia na sua época sobre a construção. |
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O Homem usou na preparação de argamassas, para além da cal e das
areias, outros componentes, que lhes conferiam novas propriedades:
conchas, ossos, gorduras, sangue de animais, cinzas vulcânicas,
restos de tijolos e telhas, etc.. Os Romanos descobriram que
juntando cinzas vulcânicas à mistura, a argamassa ganhava presa
mesmo em contacto com a água, permitindo usá-la na construção junto
aos lagos, rios e mar. Séculos decorreram até 1759, quando John
Smeaton4 (para muitos, o pai da Engenharia Civil) terminou a
construção do Farol de Eddystone, usando com sucesso cal hidráulica,
como um ligante resistente à acção agressiva do mar. Em meados do
século passado, surgiram as primeiras argamassas de origem fabril na
Europa. A União Europeia em 1989 publicou a Directiva dos Produtos
da Construção e em consequência, as Argamassas Fabris viram
reconhecida a sua importância, através de dezenas de Normas
Europeias6, obrigatoriedade da Marcação CE e certificação.
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A Construção tem de
ser sustentável, devendo utilizar produtos de baixo conteúdo
energético. Os edifícios estão obrigados a exigentes regulamentos de
construção e, quando em serviço, têm de ser energeticamente
eficientes, podendo vir a ser excedentários na produção de energia
(cf. bepos, bâtiments à energie positive7). À semelhança de outros
materiais (vidro, metais, tintas, isolamentos, etc.) que evoluíram
da preparação em obra para as fábricas, também as argamassas deixam
progressivamente de ser produzidas nas condições precárias da obra,
passando a ser produtos fabris, regulados por Normas Europeias
obrigatórias, formulações estudadas, ensaios, registos,
certificação, acompanhados de Ficha Técnica e Ficha de Segurança.
A reabilitação das construções existentes, parte delas antigas, e,
sobretudo, a conservação do património arquitectónico, obrigam a
recuperar materiais e técnicas de construção entretanto caídas em
desuso. Assim, nas argamassas, assiste-se ao retorno à cal aérea e à
cal hidráulica como ligantes, mais fáceis de trabalhar e, sobretudo,
mais compatíveis com os materiais antigos em termos das suas
propriedades químicas, termo higrométricas e mecânicas.
Compete à I&D encontrar as formulações para os fabricantes
produzirem as argamassas.
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Carlos Duarte |
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