Apresentação | Editorial | Índice| Números Anteriores | Assinatura

 APRESENTAÇÃO

A Equipa da Pedra&Cal

Director:
Vítor Cóias

Coordenação:
Joana Gil Morão / José Aguiar

Secretariado:
Elsa Fonseca

Produção Gráfica, grafismo, paginação e angariação de publicidade:
Canto Redondo – Edição e Produção, Ld.ª

Impressão:
Gráfica Europam, Ld.ª

Distribuição:
VASP, S. A.

Conselho Redactorial:
João Appleton, João Mascarenhas Mateus, José Aguiar,

Miguel Brito Correia,
Teresa de Campos Coelho 

| voltar ao topo |

 

 EDITORIAL n.º 37

Como a Alice
no País das Maravilhas
 

Os empreiteiros andam, agora, mais contentes. Pelo menos os grandes… Basta ler as crónicas e entrevistas do presidente da sua federação ou, mesmo, os títulos do jornal da AECOPS, para o constatar. E têm boas razões para isso: anunciam-se mais aeroportos, mais auto-estradas, mais pontes, mais caminhos-de-ferro, mais, mais, mais… sem olhar à rendibilidade de muitas dessas obras e, sobretudo, sem olhar à sua ineficácia enquanto estratégia de desenvolvimento.
Toda a gente sabe que a construção é uma actividade de baixíssimo valor acrescentado, logo de reduzido contributo para o PIB. Também se sabe que a construção não produz bens ou serviços transaccionáveis, logo não contribui para as exportações nem para a competitividade do País. Sabe-se, finalmente, que os empregos que cria são de baixa qualificação, logo de salários que não podem corresponder às aspirações dos portugueses. No entanto, a “política do betão”, que julgávamos definitivamente ultrapassada, aí está de novo, e em força: um modelo gasto, baseado na ilusão de que a economia cresça à sombra das obras públicas.


A todas as escalas, Portugal parece andar às voltas, se não ao contrário do que devia: à escala planetária, em lugar de se aproximar das metas de Quioto, afasta-se, porque o peso futuro do transporte rodoviário, que já é o principal consumidor de energia final no nosso país, ainda vai aumentar; à escala territorial, porque em lugar de preservarmos o património natural, esbanjamo-lo, permitindo a ocupação do litoral e das zonas protegidas com os inefáveis “resorts”, esquecendo-nos que já somos, na Europa, o país em que a artificialização da orla costeira mais tem crescido; à escala urbana, porque se deixam ao abandono muitos dos centros históricos e dos bairros antigos, mas crescem os dormitórios suburbanos e surgem, de vez em quando, projectos desgarrados de torres fora de escala, à moda do Dubai; finalmente, à escala dos edifícios, porque a reabilitação em grande não arranca e continuam a predominar as intervenções avulsas, sem ao menos se conseguir ter em conta que a unidade construtiva e estrutural é o quarteirão e não o edifício.
 

Opta-se, geralmente, por intervenções cosméticas, ou então desmantela-se o “miolo” dos edifícios antigos, empalhando-os com uma nova estrutura de betão armado.
Estarei a ser derrotista? Talvez. Mas será este o caminho para a “sustentabilidade”, a todas estas escalas? É assim que se põe em prática a apregoada Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável? Alguém sabe para onde é que nos levam estas políticas?
Vendo bem, Portugal está como a Alice no País das Maravilhas, quando pedia ajuda ao Gato:
“Cheshire Puss,... Diz-me, por favor, em que direcção devo ir a partir daqui?”
“Isso depende muito de onde é que queres chegar,” disse o Gato.
“Não me preocupa muito onde…”, disse Alice.
“Nesse caso não importa a direcção a seguir”, disse o Gato,
“… desde que eu chegue a ALGUM SÍTIO”, explicou Alice.
“Oh, de certeza que conseguirás”, disse o Gato “desde que andes durante bastante tempo.”
Nós também havemos de conseguir chegar a ALGUM SÍTIO! Já para lá caminhamos há bastante tempo e está visto que vamos continuar! Não vamos é ter a sorte de descobrir, quando lá chegarmos, que era tudo apenas um pesadelo…
 

Vítor Cóias

| voltar ao topo |

 

NÚMEROS ANTERIORES

Carregue nas revistas para consultar os respectivos índices
 
             
             
             
Out/Nov/Dez 1998   Jan/Fev/Mar 1999   Abr/Mai/Jun 1999   Jul/Ago/Set 1999

                            N.º 0

  N.º 1   N.º 2     N.º 3
             
Out/Nov/Dez 1999   Jan/Fev/Mar 2000   Abr/Mai/Jun 2000   Jul/Ago/Set 2000

                            N.º 4

  N.º 5   N.º 6     N.º 7
             
Out/Nov/Dez 2000   Jan/Fev/Mar 2001   Abr/Mai/Jun 2001   Jul/Ago/Set 2001

                            N.º 8

  N.º 9   N.º 10     N.º 11
             
Out/Nov/Dez 2001   Jan/Fev/Mar 2002   Abr/Mai/Jun 2002   Jul/Ago/Set 2002

                           N.º 12

  N.º 13  

N.º 14

   N.º 15
             
Out/Nov/Dez 2002  

Jan/Fev/Mar 2003

 

 

                           N.º 16

 

N.º 17

 

N.º 18

  N.º 19
             
 

 

 

N.º 20

 

N.º 21

 

N.º 22

  N.º 23
             

 

 

 

N.º 24

 

N.º 25

 

N.º 26

  N.º 27
             

 

 

 

N.º 28

 

N.º 29

 

  N.º 30

   N.º 31
     

N.º 32

N.º 33

N.º 34

N.º 35

 

           
           

                       N.º 36

           

| voltar ao topo |