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 APRESENTAÇÃO

A Equipa da Pedra&Cal

Director:
Vítor Cóias

Coordenação:
Cátia Teles e Marques / Joana
Gil Morão

Secretariado:
Elsa Fonseca

Produção Gráfica, grafismo, paginação e angariação de publicidade:
Canto Redondo – Edição e Produção, Ld.ª

Impressão:
Gráfica Europam, Ld.ª

Distribuição:
VASP, S. A.

Conselho Redactorial:
João Appleton, João Mascarenhas Mateus, José Aguiar,

Miguel Brito Correia,
Teresa de Campos Coelho 

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 EDITORIAL n.º 40

Património fúnebre. Dez anos de Pedra & Cal
 

Nós morremos quando desaparecem as
últimas pessoas que ouviram falar de nós.

António Lobo Antunes.
 


 


Ao longo de séculos e milénios, a morte esteve na origem de algumas das maiores construções que chegaram até nós. Faraós, imperadores e reis procuraram perpetuar a sua memória através de grandes construções funerárias. Com elas asseguraram a eternidade, já que, enquanto essas construções existirem, alguém falará deles. A luta pela perpetuação da memória é, de resto, a própria essência do monumento, termo que deriva do latim monere, recordar.

A arte fúnebre surge então, não ao serviço da morte, mas ao serviço da memória.
 
Modernamente, as construções funerárias já não assumem (felizmente) as proporções da antiguidade, mas a morte continua a ser, na generalidade dos países e das culturas, origem e justificação de construções destinadas a perpetuar a memória de pessoas, de grupos ou de famílias, ou, simplesmente, a albergar os seus despojos.
 

Com este número da P&C completa-se um ciclo de dez anos. De facto, foi no último trimestre de 1998 que saiu o número zero da nossa revista. No editorial desse número, falava-se de um vazio a preencher – a falta de uma revista dedicada à prática da reabilitação das construções antigas e da conservação do património – e de uma missão a cumprir – ajudar os profissionais e as empresas desta área a fazer um melhor trabalho. Preencheu-se o vazio e cumpriu-se a missão? Neste, como em muitos outros domínios, o sucesso é algo relativo. No entanto, as perto de três mil páginas publicadas deram certamente um contributo.

Com este número podia muito bem cessar a publicação da P&C – No que até o tema escolhido estaria de acordo… Mas é, certamente, cedo de mais para a P&C acabar. O vazio voltaria a existir e a missão não está cumprida. No entanto, compete à próxima assembleia-geral do GECoRPA tomar decisões sobre este assunto. Numa altura de grandes mudanças, como é a que actualmente vivemos, faz sentido reavaliar o projecto P&C e introduzir-lhe as correcções que se revelarem necessárias. Talvez a revista passe a ser semestral ou anual, tirando mais partido da Internet. Ao fim e ao cabo, quantas árvores tiveram de ser abatidas para produzir o papel gasto?... Talvez a revista se deva concentrar mais nos aspectos relacionados com a prática da reabilitação do edificado e da conservação do património.

De qualquer maneira, os quarenta e um números publicados constituem, eles próprios, um pequeno património, que muitos dos nossos leitores prezam e acarinham.

O GECoRPA e o director agradecem a todos quantos, ao longo destes dez anos, colaboraram na P&C e por ela se interessaram. Foi uma boa caminhada.

  

Vítor Cóias

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