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APRESENTAÇÃO
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A Equipa da Pedra&Cal
Director:
Vítor Cóias
Coordenação:
Joana
Gil Morão
Secretariado:
Elsa Fonseca
Produção Gráfica e angariação de
publicidade:
Canto Redondo – Edição e Produção, Ld.ª
Impressão:
Be Profit
Distribuição:
VASP, S. A.
Conselho
Redactorial:
Alexandra Antunes, André Teixeira, Catarina Valença Gonçalves,
Cátia Teles e Marques, Fátima Fonseca, João Appleton, João
Mascarenhas Mateus, Jorge Correia, José Aguiar, José Maria Amador,
Luiz Oosterbeek, Maria Eunice da Costa Salavessa, Mário Mendonça de
Oliveira, Miguel Brito Correia,
Paulo Lourenço, Soraya Genin, Teresa
de Campos Coelho
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EDITORIAL
n.º 44
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As Crianças e o
Património
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As futuras gerações
são constituídas pelos nossos filhos e netos e os seus descendentes.
Teoricamente, todos desejamos para eles um mundo melhor. Todos
sabemos, no entanto, que esse será um mundo mais competitivo e
exigente, quer no plano interpessoal, quer no plano internacional.
Num e noutro plano, o sucesso passa pela detenção de recursos e pela
capacidade de os rentabilizar, de modo eficaz e sustentável, criando
condições que permitam uma vida saudável, digna e produtiva para
todos.
Em Portugal, os principais recursos disponíveis são, em primeiro
lugar, os humanos, ou seja, nós próprios e a nossa capacidade de
criar riqueza; em segundo lugar, o nosso património natural e
cultural, isto é, a herança que recebemos da geração anterior.
Deixando de lado o bom aproveitamento dos recursos humanos (sobre o
qual, obviamente, muito também haveria a dizer), e olhando apenas
para o nosso património, há uma questão básica sobre a qual é
preciso reflectir:
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Estão os
“crescidos” de hoje a gerir devidamente a herança – o Património
Natural e o Património Cultural – que receberam da geração
anterior e que lhes compete deixar aos “miúdos”? Por outras
palavras: o uso que fazem desse património, os adultos de hoje, é
sustentável, evitando delapidá-lo e desvalorizá-lo?
A resposta é, infelizmente, negativa. Teoricamente, todos os
“crescidos” desejam para os “miúdos” um mundo melhor, com o direito
a usufruírem, por seu turno, do património natural e cultural que
pertence a todos e a cada geração de portugueses. Mas, na prática,
as suas atitudes e comportamentos vão em sentido contrário. Basta
olhar à volta: artificialização galopante dos melhores lugares da
orla costeira com urbanizações e resorts, exploração de pedreiras em
parques naturais para fabricar cimento, extracção de areia dos rios
e lagos para mais construções, destruição de montado para construir
campos de golfe, destruição de habitats e de ecossistemas com a
construção de mais auto-estradas e mais barragens… Isto, no que toca
ao património natural. No que toca ao património cultural, o
abandono e decadência da cidade antiga, de que o “melhor” exemplo é
a própria capital do País… A descaracterização dos centros
históricos com construções espúrias, abandono dos monumentos e
sítios ou a sua deterioração por intervenções mal concebidas ou mal
executadas.
A cupidez e ganância dos “crescidos” de hoje, não só desvaloriza e
delapida o património, como contribui, pelo mau exemplo, para que os
“miúdos” de hoje, ao chegarem a adultos, não sejam, eles próprios,
depositários responsáveis desse património.
É claro que há bons exemplos e “crescidos” responsáveis. Mas não
existem em número suficiente para influenciarem uma sociedade que há
muito resvala pelas encostas anónimas da história: ou são demasiado
“sensatos” para tentarem mudar o mundo à sua volta, ou remam contra
a corrente avassaladora da mediocridade e do facilitismo. Aos
“crescidos” que remam contra a maré e, sobretudo, aos “miúdos”, se
dedica este exercício da Pedra & Cal. Aos primeiros, es-perando que
a sua abnegação e persistência consiga reunir finalmente a massa
crítica necessária à mudança; aos segundos, esperando que venham a
constituir uma geração mais responsável e inteligente do que a
actual.
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