Revista Pedra&Cal

Património Fúnebre

Indíce

02 Editorial

03 Quadro de Honra

04 A Ruralidade Urbana e o Cemitério
O cemitério, elemento de paisagem e património básico de uma cultura e de uma história, é um dos elos mais significativos que liga a cultura rural à urbana de uma mesma comunidade.
 GONÇALO RIBEIRO TELLES

09 Megalitismo em Portugal
O megalitismo funerário é, antes de mais, um indício da crescente complexidade social: os grupos humanos, na sua estratégia de ocupação da terra, vão sentindo a necessidade de legitimar interesses de controle colectivo exclusivo contraditórios.
 LUIZ OOSTERBEEK

11 O sorriso perdido dos sarcófagos etruscos
Numa tarde cálida do fim do Verão de 1930, um viajante italiano, de passagem por Lisboa, aproveitou a escala do seu navio no Tejo para realizar uma excursão a Sintra e Monserrate. Na companhia ocasional de alguns ingleses, também cultos e curiosos.
 Carlos moura

14 O Património Tumular Medieval Português
Uma visão de conjunto sobre arcas e jacentes medievais em Portugal
 JOANA RAMÔA

17 Conhecer e revelar o espaço e as construções do Cemitério dos Prazeres do século XIX
O Cemitério dos Prazeres tem a sua origem no ano de 1834, tendo sido implantado sobre o vale de Alcântara em parte de uma quinta denominada dos Prazeres, onde existia uma Ermida dedicada a Nossa Senhora dos Prazeres, que dará o nome ao cemitério.
 PAULA ANDRÉ

21 A Requalificação do Museu de S. Roque
O Museu de S. Roque, em Lisboa, reabre as suas portas ao público a 19 de Dezembro, depois de mais de dois anos de encerramento para obras de remodelação e ampliação das suas instalações e de conservação do património edificado e móvel.
 Cátia teles e Marques

25 Obra premiada
A intervenção na Casa Museu José Régio
 MANUEL MAIA GOMES

28 Pinturas da Charola do Convento de Cristo (Tomar)
Estudo material para reintegração cromática
 N. Proença, J. Pestana, S. Valadas, A. Cardoso, H. Vargas, I. RIbeiro

29 Património Funerário no Cemitério dos Prazeres em lisboa
A morte é a única inevitabilidade da vida. Os cemitérios são o repositório da nossa história e cultura, perpetuando a memória do que fomos. Desde sempre os humanos homenageiam os seus mortos.
 CARLOS MIGUEL CASIMIRO

32 Relicários
Túmulos de prata
 NUNO VASSALLO E SILVA

34 Mausoléu dos Beneméritos da S. C. Misericórdia de Lisboa Alto de São João
O restauro estrutural e conservação geral do monumento
 LUÍS PEDRO MATEUS

36 O Património Funerário dos nossos dias...
Tal como a sociedade evolui, as técnicas construtivas, os conceitos e as práticas também vão evoluindo fazendo face às exigências e expectativas do indivíduo, respeitando as suas crenças e os seus valores.
 SOFIA ALEXANDRA MENDES

38 Estudo de reabilitação estrutural da Capela de Santa Catarina em Frielas
 SOFIA ALEXANDRA MENDES

40 Procedimento pré-contratual e limite para trabalhos a mais em intervenções de reabilitação estrutural
 VítOr CóiaS

40 A água industrial
As nascentes do Alviela em Lisboa e a Estação Elevatória dos Barbadinhos a vapor
 JORGE CUSTÓDIO

43 Obras públicas ou privadas, 40 anos da Recomendação da UNESCO
 MIGUEL BRITO CORREIA

44 Notícias

46 Como reabilitar: uma entrevista e várias lições
 VÍTOR CÓIAS

48 Agenda

49 Vida Associativa

50 e-pedra e cal
Cronologia do fúnebre
 ANTÓNIO PEREIRA COUTINHO

51 Livraria

53 Associados GECoRPA

56 Finalmente, os devolutos
Passarão à prática as novas medidas anunciadas?
 NUNO TEOTÓNIO PEREIRA

Preço: 4,48 €

N.º 40
Património Fúnebre

Editorial por Vítor Cóias


As futuras gerações são constituídas pelos nossos filhos e netos e os seus descendentes. Teoricamente, todos desejamos para eles um mundo melhor. Todos sabemos, no entanto, que esse será um mundo mais competitivo e exigente, quer no plano interpessoal, quer no plano internacional. Num e noutro plano, o sucesso passa pela detenção de recursos e pela capacidade de os rentabilizar, de modo eficaz e sustentável, criando condições que permitam uma vida saudável, digna e produtiva para todos.

Em Portugal, os principais recursos disponíveis são, em primeiro lugar, os humanos, ou seja, nós próprios e a nossa capacidade de criar riqueza; em segundo lugar, o nosso património natural e cultural, isto é, a herança que recebemos da geração anterior. Deixando de lado o bom aproveitamento dos recursos humanos (sobre o qual, obviamente, muito também haveria a dizer), e olhando apenas para o nosso património, há uma questão básica sobre a qual é preciso reflectir:

Estão os “crescidos” de hoje a gerir devidamente a herança – o Património Natural e o Património Cultural – que receberam da geração anterior e que lhes compete deixar aos “miúdos”? Por outras palavras: o uso que fazem desse património, os adultos de hoje, é sustentável, evitando delapidá-lo e desvalorizá-lo?

A resposta é, infelizmente, negativa. Teoricamente, todos os “crescidos” desejam para os “miúdos” um mundo melhor, com o direito a usufruírem, por seu turno, do património natural e cultural que pertence a todos e a cada geração de portugueses. Mas, na prática, as suas atitudes e comportamentos vão em sentido contrário. Basta olhar à volta: artificialização galopante dos melhores lugares da orla costeira com urbanizações e resorts, exploração de pedreiras em parques naturais para fabricar cimento, extracção de areia dos rios e lagos para mais construções, destruição de montado para construir campos de golfe, destruição de habitats e de ecossistemas com a construção de mais auto-estradas e mais barragens… Isto, no que toca ao património natural. No que toca ao património cultural, o abandono e decadência da cidade antiga, de que o “melhor” exemplo é a própria capital do País… A descaracterização dos centros históricos com construções espúrias, abandono dos monumentos e sítios ou a sua deterioração por intervenções mal concebidas ou mal executadas.

A cupidez e ganância dos “crescidos” de hoje, não só desvaloriza e delapida o património, como contribui, pelo mau exemplo, para que os “miúdos” de hoje, ao chegarem a adultos, não sejam, eles próprios, depositários responsáveis desse património.

É claro que há bons exemplos e “crescidos” responsáveis. Mas não existem em número suficiente para influenciarem uma sociedade que há muito resvala pelas encostas anónimas da história: ou são demasiado “sensatos” para tentarem mudar o mundo à sua volta, ou remam contra a corrente avassaladora da mediocridade e do facilitismo. Aos “crescidos” que remam contra a maré e, sobretudo, aos “miúdos”, se dedica este exercício da Pedra & Cal. Aos primeiros, esperando que a sua abnegação e persistência consiga reunir finalmente a massa crítica necessária à mudança; aos segundos, esperando que venham a constituir uma geração mais responsável e inteligente do que a actual.


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